Caliper: ferramenta para avaliação corporal de matrizes suínas

1. INTRODUÇÃO

Alguns fatores relacionados ao desempenho reprodutivo das matrizes suínas
estão diretamente associados ao potencial produtivo durante sua vida útil, como a
longevidade, mensurada pelo número de paridades e taxa de retenção, além do número
de leitões nascidos vivos, desmamados ao longo da vida produtiva e dos dias não
produtivos (Sasaki et al., 2011).
Esses fatores podem ser influenciados por diversos parâmetros relacionados aos
indicadores de desempenho, entre eles o escore de condição corporal, importante
ferramenta de manejo prático que influencia diretamente o sucesso reprodutivo e a
produtividade do rebanho.
Observar e compreender as alterações na condição corporal das porcas em fases
estratégicas do ciclo produtivo é fundamental para maximizar o desempenho
reprodutivo e favorecer a eficiência econômica da produção (Kim et al., 2016). Além
disso, as alterações no escore corporal constituem ferramentas úteis para avaliação da
saúde das matrizes, orientação de práticas de manejo e monitoramento da ingestão de
ração (Mallmann et al., 2019).
Apesar da importância do monitoramento da condição corporal das matrizes, a
avaliação visual ainda é amplamente utilizada nas granjas comerciais, o que pode
resultar em diferenças de interpretação entre avaliadores e menor padronização das
análises corporais. Nesse contexto, ferramentas práticas como o caliper vêm sendo
utilizadas como alternativas para auxiliar na avaliação objetiva da condição corporal das
fêmeas.

2. O que é o Caliper?

O Caliper® (FIGURA 1) foi desenvolvido com o objetivo de proporcionar uma
avaliação mais objetiva da condição corporal das matrizes suínas, utilizando uma escala
de 1 a 25 mm para classificação das fêmeas em três categorias corporais: magras, ideais
e gordas. O método foi inicialmente avaliado em matrizes provenientes do cruzamento
entre as raças Landrace e Large White, demonstrando potencial de aplicação em
diferentes linhagens genéticas utilizadas na suinocultura comercial (Gonçalves et al.,
2022).

FIGURA 1 – Ferramenta Caliper utilizado para avaliação
do ECC em matrizes suínas.
Fonte: Arquivo pessoal, 2025.

O uso do caliper nas granjas comerciais tem se tornado cada vez mais frequente
devido à praticidade e facilidade de aplicação durante a rotina de manejo das matrizes.
Diferente da avaliação visual tradicional, que pode variar conforme a experiência do
avaliador, a ferramenta permite maior padronização das avaliações corporais, auxiliando
na tomada de decisão de forma mais objetiva.
A utilização do equipamento é simples e rápida, podendo ser realizada em
diferentes fases produtivas das fêmeas, como cobertura, gestação, pré-parto e desmame.
A partir das avaliações, torna-se possível identificar matrizes com excesso ou
deficiência de reservas corporais, permitindo ajustes nutricionais e manejo
individualizado conforme a necessidade de cada animal.

FIGURA 2 – Método de avaliação do
escore de condição corporal (ECC)
utilizando o caliper em uma matriz suína
para refletir suas reservas corporais.
Fonte: Arquivo pessoal, 2025.

Além disso, o monitoramento frequente da condição corporal contribui para
melhor acompanhamento do catabolismo durante a lactação, principalmente em fêmeas
primíparas, categoria que normalmente apresenta maiores desafios relacionados à perda
de condição corporal e retorno ao cio pós-desmame.
No campo, a utilização do caliper também favorece o treinamento das equipes
dentro da granja, reduzindo diferenças de interpretação entre colaboradores e
aumentando a confiabilidade das avaliações corporais ao longo do ciclo produtivo das
matrizes.
A classificação das matrizes por meio do caliper permite identificar diferentes
perfis de condição corporal ao longo do ciclo produtivo. Fêmeas classificadas como
magras geralmente apresentam menores reservas corporais, maior destaque das
estruturas ósseas da região lombar e maior predisposição ao catabolismo durante a
lactação. Em contrapartida, matrizes consideradas gordas tendem a apresentar excesso
de reservas corporais, condição que também pode trazer impactos negativos sobre o
desempenho produtivo e reprodutivo. Já as fêmeas classificadas dentro do escore ideal
apresentam equilíbrio adequado das reservas energéticas, favorecendo melhor adaptação
metabólica, manutenção do consumo de ração e desempenho reprodutivo mais eficiente.

Matrizes que estão excessivamente magras ou gordas geralmente são retiradas
do rebanho reprodutivo antes do tempo esperado devido à redução do bem-estar ou as
falhas reprodutivas e ao baixo desempenho. Fêmeas com escore corporal baixo podem
resultar em leitegadas desmamadas mais leves devido à menor disponibilidade de
nutrientes para o crescimento fetal e para a lactação. Também possuem períodos
desmame-cio mais prolongados, em função da supressão dos hormônios que induzem a
retomar a atividade reprodutiva (Lavery et. al., 2019).
Geralmente, a alimentação das matrizes suínas durante a fase de gestação é feita
de acordo com a avaliação da condição corporal (FIGURA 3), que é realizada de forma
visual, mas estudos indicam que essa avaliação pode ser superestimada ou subestimada
pelos avaliadores, que acabam criando seu próprio “ideal” de escore. Essa ausência de
um padrão pode levar a um fornecimento de ração que não atende às necessidades dos
animais, o que pode resultar em perdas reprodutivas, o que torna ainda mais importante
o uso de métodos objetivos para medir a condição corporal e sua relação com o
desempenho reprodutivo (Young et al., 2004; Fitzgerald et al., 2009).

FIGURA 3 – Diferentes Escores de Condição Corporal (ECC) em matrizes.
(A) Matriz ECC Magra. (B) Matriz ECC Ideal. (C) Matriz ECC Gorda.
Fonte: Arquivo pessoal, 2025.
Na prática, a correta interpretação dessas classificações auxilia na tomada de
decisão dentro da granja, permitindo ajustes nutricionais, acompanhamento
individualizado das matrizes e prevenção de perdas produtivas associadas tanto ao
excesso quanto à deficiência de condição corporal.

3. Relação com desempenho reprodutivo

Durante a gestação, a ingestão de ração no início pode ser uma forma de
assegurar que as matrizes alcancem níveis adequados de reservas corporais no parto e
no desmame. No entanto, os impactos do nível de alimentação logo após a inseminação
ainda são vistos como controversos na literatura (Leal et. al., 2019).
Em razão disso, o nível de arraçoamento deve ser mantido baixo nas primeiras
semanas após a inseminação, apenas o suficiente para atender às necessidades
energéticas de manutenção. No entanto, estudos recentes mostram que aumentar o nível
de ração durante esse período em porcas hiperprolíficas pode beneficiar o
desenvolvimento e a sobrevivência dos embriões (Carrión et. al., 2022).
Nesse contexto, as matrizes durante a gestação, ganham peso de maneira
contínua, por vários motivos como, a recuperação corporal, o crescimento, o
desenvolvimento do feto e a expansão uterina. Nesse cenário, acompanhar essas
características durante o parto pode auxiliar a identificar problemas de saúde ou
deficiências nutricionais, que possam influenciar a ração consumida (Zhou et. al., 2019;
Thongkhuy et. al., 2020; Muhizi et. al., 2022).
Diante disso, o uso do caliper permite acompanhar de forma objetiva as
alterações na condição corporal das matrizes ao longo das diferentes fases produtivas. A
identificação precoce de fêmeas que apresentam perdas excessivas de reservas corporais
possibilita intervenções nutricionais e de manejo antes que impactos mais severos sejam
observados nos índices reprodutivos da granja.
Da mesma forma, matrizes que apresentam condição corporal excessiva também
merecem atenção. Fêmeas com elevado acúmulo de reservas podem apresentar redução
no consumo voluntário de ração durante a lactação, maior dificuldade de adaptação
metabólica e aumento do risco de problemas reprodutivos e produtivos. Por esse
motivo, o objetivo do monitoramento não é apenas evitar perdas corporais excessivas,
mas manter as matrizes dentro de uma faixa considerada ideal ao longo de todo o ciclo
produtivo.

4. CONCLUSÃO

O caliper se destaca como uma ferramenta prática, objetiva e de fácil aplicação
para avaliação da condição corporal de matrizes suínas em granjas comerciais. Sua
utilização contribui para reduzir a subjetividade das avaliações visuais, permitindo

maior padronização do monitoramento corporal ao longo das diferentes fases
produtivas.
O acompanhamento sistemático da condição corporal possibilita identificar
precocemente matrizes com deficiência ou excesso de reservas corporais, auxiliando na
tomada de decisões relacionadas ao manejo e à nutrição. Dessa forma, o uso do caliper
favorece a manutenção das fêmeas dentro de uma faixa corporal adequada, contribuindo
para melhores resultados produtivos e reprodutivos.
Além de seu valor como ferramenta de monitoramento, o caliper representa um
importante aliado na gestão do plantel, permitindo intervenções mais assertivas e
promovendo maior eficiência na produção de suínos. Seu uso rotineiro pode contribuir
para o aumento da longevidade das matrizes, melhoria dos índices reprodutivos e
otimização dos resultados econômicos da granja.

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