A coenzima Q10 é considerada uma provitamina, lipossolúvel, sintetizada endogenamente, e é também conhecida como ubiquinona ou CoQ10. Em 1957, acoenzima Q10 foi isolada pela primeira vez de mitocôndrias de coração bovino.
Constitui-se de uma molécula solúvel em gordura que ocorre naturalmente em praticamente todas as células do corpo humano, mas suas maiores concentrações estão nos tecidos do coração, fígado, cérebro e músculo esquelético. A molécula, localiza-se na membrana mitocondrial interna, onde interage com determinadas enzimas, atuando como coenzima essencial na cadeia respiratória mitocondrial.
A Figura 1 apresenta sua estrutura química.
A CoQ10 é sintetizada pelas células humanas, mas também pode ser obtida a partir da alimentação, sendo as principais fontes alimentares como carne vermelha, ave e peixe. Pequenas quantidades são encontradas nos produtos lácteos, cereais, ovos, frutos secos como as nozes e nos vegetais, principalmente espinafre e brócolis. A Tabela 1 apresenta as principais fontes alimentares e as quantidades de CoQ10 presentes.
Tabela 1: Fontes alimentares de coenzima de coenzima Q 10 (CoQ10)
Benefício da Coenzima Q10 (CoQ10) na saúde humana
Entre as funções da CoQ10 estão:
1) Atividade antioxidante protegendo proteínas da membrana mitocondrial, fosfolipídios e o DNA contra danos oxidativos. Adicionalmente, participa da regeneração de outros antioxidantes, como o ácido ascórbico e o α-tocoferol.
2) Mediadora no sistema de transporte de elétrons na mitocôndria, sendo indispensável para a respiração celular e a produção de trifosfato de adenosina (ATP). De natureza lipofílica, funciona como coenzima mitocondrial na cadeia respiratória, transportando elétrons e contribuindo diretamente para a geração de ATP. Esta molécula, cuja hidrólise é altamente exergônica, representa a principal forma de energia química utilizada pelo organismo, sendo essencial para a sobrevivência humana.
3) Prevenção de peroxidação de fosfolipídios, proteger as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) da oxidação no plasma e o DNA de danos oxidativos e demonstrar a capacidade de regenerar antioxidantes como vitamina C e (ácido ascórbico e alfa- tocoferol, respectivamente).
4) Expressão gênica, principalmente na sinalização celular, metabolismo de neurotransmissores, regulação de transporte e transcrição, inflamação e muito mais.
Vários processos patológicos associados à deficiência de CoQ10 podem se beneficiar de sua suplementação, incluindo deficiências primárias e secundárias, disfunção mitocondrial, fibromialgia, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, câncer, diabetes mellitus, infertilidade masculina, enxaqueca, doença periodontal e outras.
Estudo realizado demonstra resultados da importância do uso de CoQ10 em pacientes que estão cronicamente em uso de estatinas hipocolesterolêmicas para prevenir os efeitos colaterais desses medicamentos convencionais associados a lesões/miopatias musculares).
A CoQ10 tem se mostrado altamente relevante no tratamento de doenças mitocondriais, neuromusculares e neurodegenerativas. Estudos experimentais demonstraram seus efeitos neuroprotetores, bem como sua capacidade de prevenir disfunções mitocondriais. A suplementação com CoQ10 aumentou sua concentração nas mitocôndrias das células cerebrais, promovendo proteção contra lesões e preservando os neurônios dopaminérgicos. Esses achados são promissores especialmente em enfermidades neurodegenerativas, como a doença de Parkinson, doença de Huntington, Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica.
Os benefícios da Coenzima Q10 (CoQ10) vêm sendo amplamente investigados em diversas condições clínicas, incluindo cardiopatias, infertilidade masculina (com melhora na qualidade do esperma), síndrome de Down, câncer de mama e enxaqueca. Sua deficiência pode estar associada a várias doenças crônicas, especialmente quando há desequilíbrio nos níveis de CoQ10 ou comprometimento na função da cadeia de transporte de elétrons, resultando em disfunção mitocondrial. Além disso, a redução de sua atividade antioxidante pode contribuir significativamente para o aumento do estresse oxidativo e do dano celular.
A suplementação de CoQ10 tem demonstrado melhorar a função mitocondrial e fornecer proteção antioxidante a órgãos e tecidos afetados por diversas condições fisiopatológicas. Sua capacidade de inibir a liberação de marcadores pró-inflamatórios também é promissora no tratamento de doenças inflamatórias e no processo de envelhecimento.
No contexto esportivo, a CoQ10 é considerada uma substância ergogênica por atuar diretamente no metabolismo celular, favorecendo o desempenho físico. Sua potente ação antioxidante combate os radicais livres produzidos durante exercícios intensos, auxiliando na redução de lesões musculares, no retardo da fadiga e na melhora do desempenho atlético. Estudos indicam ainda um aumento da concentração de CoQ10 no tecido muscular após a suplementação.
Apesar dos efeitos benéficos observados, ainda são necessários mais estudos científicos para aprofundar o conhecimento sobre a ação da CoQ10, especialmente em relação ao desempenho físico. Diante de sua relevância crescente, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas futuras voltadas a essa temática.
Referências
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