Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos: Parte II

Introdução

Você sabia que o desperdício de alimentos não só representa uma perda econômica significativa, mas também contribui para a degradação ambiental e aumento das emissões de gases de efeito estufa? Abordar essa questão é uma responsabilidade corporativa para a sustentabilidade e uma oportunidade de inovação.

No artigo anterior (https://portalefood.com.br/artigos/reducao-de-perdas-e-desperdicio-de-alimentos/) foi abordado a importância e um breve prospecto de impactos e estratégias para da redução de perdas e desperdícios de alimentos. Neste artigo, é explorado uma abordagem prática para gestão de perdas e desperdícios que pode ser implementada em diferentes etapas do processo de produção e distribuição, e apresentaremos também um formulário que pode ser utilizado como um plano de redução de perdas e desperdícios. 

Reduzindo a perda e o desperdício de alimentos

A empresa que possui o sistema de gestão de segurança de alimentos certificado no Esquema FSSC 22000 deve estabelecer uma política e os objetivos documentados que descrevam sua estratégia para minimizar a perda e o desperdício de alimentos, tanto internamente quanto na cadeia de abastecimento que controla. Isso é indicado na seção 2.5.16, alínea “a”, Parte 2: Requisitos para organizações a serem auditadas, do Requisito Adicional FSSC 22000 versão 6.

A formulação de uma política clara, com objetivos bem definidos para a redução de perdas e desperdícios, é fundamental em um contexto em que a sustentabilidade é uma prioridade global. Para isso, é necessário analisar o fluxo de processamento de alimentos, identificando os pontos de perdas significativas, e implementar ações corretivas. Além disso, é importante avaliar o desempenho dessas ações e estabelecer medidas adicionais caso os objetivos não sejam atingidos. E após finalizados, os alimentos devem ser geridos de forma a reduzir os desperdícios. 

É recomendável que os objetivos determinados sejam específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais (critérios SMART). Isso permitirá que a organização monitore seu progresso ao longo do tempo. 

As ações para minimizar perdas e desperdícios podem incluir iniciativas como:

É imprescindível garantir que produtos excedentes ou aqueles que não atendem às especificações de qualidade comerciais e que foram direcionados para doação sejam seguros para o consumo, e que sejam manuseados e armazenados de forma correta, com rastreabilidade garantida.

Outro aspecto crucial é o engajamento dos colaboradores. Quando envolvidos, eles podem contribuir significativamente para a execução da estratégia de redução de perdas e desperdícios. Campanhas de conscientização e treinamentos regulares podem incentivar os funcionários a identificarem e abordarem problemas relacionados ao desperdício em suas atividades diárias. 

A colaboração com fornecedores e parceiros é fundamental para criar uma rede eficaz que minimize perdas em toda a cadeia de abastecimento. Essa colaboração pode incluir a troca de informações sobre melhores práticas e a implementação conjunta de tecnologias que aumentem a eficiência na gestão de estoques.

Por fim, a transparência na comunicação dos resultados alcançados e das práticas adotadas não só fortalece a imagem da organização, mas também incentiva outras empresas a seguir o mesmo caminho. A redução do desperdício de alimentos é, portanto, uma meta coletiva que beneficia não apenas a organização, mas também a sociedade e o meio ambiente.

Gestão da Redução de Perdas e Desperdícios

Verificar etapas para identificar perdas

O primeiro passo é avaliar as etapas do processo de produção e da cadeia de abastecimento sob controle da organização certificada/interessada, visando identificar as perdas e os desperdícios, abordando o seguinte: 

Exemplo prático: em uma fazenda de tomates, pode-se observar que muitos frutos se danificam durante a colheita. Ao mapear essa etapa, a equipe pode identificar métodos de colheita mais adequados para minimizar os danos físicos que influem diretamente na qualidade percebida do produto e na escolha pelo consumidor.

Identificação da fonte da perda

Após mapear as etapas, o próximo passo é identificar as fontes das perdas, investigando de maneira mais profunda a origem para a correção, que envolve:

Exemplo prático: se na distribuição de tomates se observa um número elevado de frutos danificados, a causa pode ser a falta de embalagens adequadas ou a escolha de veículos inapropriados para o transporte, entre outros.

Base de cálculo para estimativa da perda

Estabelecer uma base de cálculo para estimar perdas é fundamental, incluindo:

Exemplo prático: Um supermercado pode descobrir que, em média, 5% de suas frutas e verduras são descartadas diariamente, o que representa uma perda financeira significativa ao longo do mês.

Estratégia de intervenção

Análise da situação atual

Realizar uma análise detalhada da situação atual é essencial. Isso pode incluir:

Definição de objetivos para redução de perdas

Após identificar e quantificar as perdas e desperdícios em seu processo, é importante estabelecer objetivos claros, específicos e mensuráveis para a redução. Por exemplo, definir uma meta de redução de perdas em 20% ao longo de um ano. Para alcançar esses objetivos, deve-se planejar e implementar ações, que serão monitoradas em intervalos definidos para avaliar o progresso. Se os resultados não forem satisfatórios, novas ações devem ser adotadas para garantir o cumprimento das metas.

Práticas de melhoria para redução de perdas e desperdícios

Diversas práticas podem ser implementadas para mitigar perdas e desperdícios, incluindo:

Exemplo prático: um restaurante pode adotar uma sistemática que alerta sobre produtos próximos ao vencimento, permitindo que sejam utilizados antes que estejam vencidos.

Monitoramento e avaliação

Após implementar as práticas, é crucial monitorar o progresso. Isso pode ser feito através de relatórios periódicos sobre perdas, para identificar tendências e ajustar estratégias conforme necessário.

Destinação da perda

É vital garantir que as perdas sejam destinadas de forma responsável. Isso pode incluir:

Exemplo prático: um supermercado pode criar um programa que direciona alimentos próximos ao vencimento para instituições de caridade, reduzindo o desperdício e ajudando a comunidade.

Modelo de plano de redução de perdas e desperdícios

Para auxiliar na implementação dessas ações, é apresentado um modelo de plano de redução de perdas e desperdícios. Este formulário deve ser adaptado e avaliado no contexto da organização, considerando suas particularidades e necessidades. 

BAIXAR O FORMULÁRIO

O modelo inclui o seguinte: 

4.3 Ações para alcance de objetivos: descrição das ações a serem implementadas (ex: treinamentos, adoção de tecnologias, novas práticas, entre outros);

4.4 Monitoramento e avaliação: métodos de acompanhamento e avaliação do progresso (ex: verificações e relatórios periódicos, de acordo com cada situação);

Conclusão

A redução de perdas e desperdício de alimentos não é apenas uma meta corporativa, é uma responsabilidade coletiva que beneficia a todos. Com um plano estruturado e colaboração entre equipes, podemos transformar desafios em oportunidades sustentáveis.

Pronto para fazer a diferença? Comece a implementar estas estratégias na sua organização e compartilhe suas experiências! Juntos, podemos criar uma cadeia de produção de alimentos mais sustentável e responsável.

Referências:

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