A nova pesquisa “Olhar 360° sobre o Consumidor Brasileiro e o Mercado Plant-based 2023/2024” do The Good Food Institute (GFI) Brasil, realizada com mais de 2 mil brasileiros de classe ABC, revela dados fundamentais que ajudam a contextualizar o crescimento da indústria de proteínas alternativas no país (acesse a pesquisa ao final desta notícia). De acordo com a instituição sem fins lucrativos, nos últimos anos, o número de empresas no setor aumentou exponencialmente, assim como as vendas e a variedade de produtos disponíveis.
Agora, a tendência é de um período de consolidação, com fusões e aquisições. Dados recentes mostram que o mercado de proteínas alternativas continua crescendo no Brasil, refletindo uma tendência global de busca por dietas mais saudáveis, sustentáveis e éticas.
Principais descobertas da pesquisa
- Consumo de carnes vegetais: 26% dos brasileiros de classe ABC consomem carnes vegetais ao menos uma vez por mês. Quando se trata de alternativas vegetais a leite e derivados, 48% consomem esses produtos com a mesma frequência.
- Novos estilos de dieta em evidência: 66% dos entrevistados se definem como onívoros, consumindo tanto produtos de origem animal quanto vegetal regularmente. No entanto, uma parcela significativa de consumidores (34%) estabelece alguma restrição aos produtos de origem animal. Dentre esses, 21% estão reduzindo – mas não eliminando completamente – o consumo de carne, 8% são pescetarianos (consomem apenas pescados) e 5% se declaram veganos ou vegetarianos.
- Responsabilidade alimentar na mão das mulheres: 81% das mulheres entrevistadas afirmaram ser as principais responsáveis pela escolha do cardápio, enquanto 82% são responsáveis pelo preparo e 81% pela compra de ingredientes. Entre os homens, esses números são significativamente menores: 56%, 50% e 69%, respectivamente.
- Redução no consumo de carne vermelha: 36% dos respondentes afirmam ter reduzido o consumo de carne vermelha nos últimos 12 meses. Desses, 38% citam a saúde como principal motivo para a redução, enquanto 35% apontam o custo elevado como razão. Motivações como melhorias na digestão (30%), redução do colesterol (25%) e perda de peso (22%) também foram citadas. Estes fatores variam conforme o tipo de dieta do consumidor: por exemplo, 40% dos onívoros destacaram o aumento do preço da carne como motivação, enquanto 48% dos flexitarianos priorizaram a saúde.
- Alternativas à carne animal: o ovo é o substituto mais comum para aqueles que reduziram o consumo de carne, com 69% das menções. Entretanto, os flexitarianos tendem a diversificar mais suas opções, incluindo uma maior variedade de vegetais, como legumes, verduras e grãos. As carnes vegetais análogas, que imitam o sabor, textura e aparência da carne animal, são usadas como substitutas diretas da carne animal por 8% dos consumidores que reduziram a carne no último ano, enquanto 7% utilizam as carnes vegetais não análogas.
- Avaliação das carnes vegetais: o conceito das carnes vegetais análogas tem uma avaliação positiva, independentemente do tipo de dieta: 52% consideram a ideia boa ou muito boa. No entanto, apenas 18% já experimentaram esses produtos, o que indica que ainda há um grande potencial de crescimento para esta categoria.
Análise do GFI Brasil
“A indústria de proteínas enfrenta desafios naturais de qualquer mercado emergente, incluindo expectativas altas demais e acesso ao capital mais restrito. O que vemos é que os produtos disponíveis atualmente ainda não entregam plenamente as qualidades sensoriais e o preço esperado pelo consumidor, o que requer uma atenção redobrada em P&D para alcançar um equilíbrio que faça sentido para o mercado”, afirma Camila Lupetti, Especialista de Dados GFI Brasil e uma das autoras da pesquisa.
No entanto, a especialista comenta que, mesmo no cenário brasileiro – onde os consumidores adoram carne e consomem sempre que possível – as carnes vegetais têm sido bem aceitas, o que mostra um potencial muito promissor para o futuro. “Com um conceito bem avaliado e uma base de consumidores disposta a experimentar, as carnes vegetais têm tudo para seguir ganhando mais espaço nas mesas dos brasileiros”. A pesquisa do GFI Brasil traz, além dos dados, análises e estratégias cruciais a serem adotadas pelas empresas do setor para superar os desafios atuais:
- Investimento em P&D
Para competir efetivamente com os produtos de origem animal, atrair e fidelizar consumidores, é essencial que haja uma melhoria contínua no sabor, preço e conveniência dos produtos plant-based. Produtos que imitam a textura e o sabor da carne animal, mas com vantagens adicionais de saúde e sustentabilidade, têm maior probabilidade de sucesso no mercado. Empresas que priorizam P&D estarão mais bem posicionadas para inovar e responder rapidamente às demandas dos consumidores.
A indústria de proteínas alternativas está em um momento crítico de sua evolução. Embora as vendas globais de carne vegetal sejam pequenas em comparação com a carne convencional, o potencial de crescimento da categoria é enorme. A evolução tecnológica rápida e o desenvolvimento de novos produtos são fatores chave para alcançar uma adoção em massa. Portanto, agora é o momento para as empresas investirem em tecnologias que possam diminuir os custos de produção e melhorar a qualidade dos produtos.
- Adoção do marketing de influência
Influenciadores especializados em alimentação são aliados valiosos para educar e engajar o consumidor sobre os benefícios e qualidades das proteínas alternativas. Esses influenciadores têm a capacidade de criar conteúdo de maior credibilidade e alcance, explicando os atributos dos produtos de forma detalhada e confiável. Estratégias que envolvem influenciadores podem focar na criação de um vínculo autêntico entre o produto e o consumidor.
No entanto, é crucial selecionar influenciadores que realmente motivem a compra e apoiem a marca, educando o público sobre a categoria. Lembrando que a categoria de carnes vegetais é nova, e o consumidor ainda demonstra muitas incertezas sobre o tema, portanto quanto maior o acesso a informações claras e confiáveis, melhor para a consolidação de toda a categoria. Celebridades com grande alcance nas mídias sociais podem ajudar a popularizar o tema, mas é crucial que seus valores e comportamentos estejam alinhados com os da marca para garantir uma comunicação eficaz e autêntica.
- Parcerias estratégicas com varejo e food service
Desenvolver parcerias estratégicas com o varejo e o food service é essencial para garantir a disponibilidade de produtos plant-based e incentivar a experimentação. A baixa disponibilidade de produtos é uma das principais barreiras para a adoção de proteínas alternativas. Portanto, é vital trabalhar de perto com supermercados e restaurantes para alinhar o posicionamento dos produtos, estabelecer preços competitivos e promover degustações em loja e outras iniciativas que incentivem a experimentação.
A pesquisa do GFI Brasil de 2022 já destacava a dificuldade dos consumidores em encontrar produtos plant-based em seus locais de compra habituais. Portanto, é imprescindível fortalecer a presença nesses ambientes. Aumentar a disponibilidade dos produtos ajudará a construir uma base de consumidores fiéis e facilitará a expansão do mercado.
- Comunicação eficaz
Estreitar a comunicação com o perfil de consumidor mais aderente também é fundamental para o crescimento do setor. Fornecer informações claras e precisas, esclarecendo controvérsias e mitos, permitirá que esses consumidores se tornem embaixadores da categoria em seus círculos sociais. A pesquisa qualitativa do GFI Brasil revela que mesmo aqueles que já consomem e gostam dos produtos plant-based muitas vezes não têm argumentos suficientes para defender suas escolhas diante de opiniões contrárias.
Uma comunicação eficaz deve focar em educar o consumidor sobre os benefícios dos produtos plant-based, abordando questões como saúde, nutrição, ingredientes e processos adotados. Utilizar plataformas digitais para compartilhar informações e conectar-se com consumidores que buscam maneiras de melhorar sua saúde e reduzir seu impacto ambiental pode fortalecer a lealdade à marca e ampliar a base de consumidores.
Baixe a pesquisa: https://gfi.org.br/Pesquisa-de-Consumidor-2023-2024-GFI-Brasil
Sobre a pesquisa
A pesquisa, conduzida pelo GFI Brasil, foi realizada pelo Ibpad e Netquest, com patrocínio da N.OVO, PlantPlus Foods, Incrível!, AAK, NotCo e Mr. Veggy/Grano. Utilizando social listening (2018-2023), grupos focais (outubro de 2023) e uma pesquisa quantitativa com 2.007 entrevistas realizadas com participantes das classes ABC (janeiro de 2024), o estudo oferece uma visão abrangente das motivações e barreiras para o consumo de proteínas alternativas no Brasil.