Plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas

Desenvolvida pela Embrapa Suínos e Aves (SC) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) está disponível desde janeiro de 2026

A Embrapa Suínos e Aves (SC) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o Brasil para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, biosseguridade, controle de doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura brasileira. A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) está disponível desde janeiro deste ano e pode ser acessada gratuitamente.

A CISS também materializa o conceito de Saúde Única ao integrar saúde animal, saúde humana e proteção ambiental. “Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca a pesquisadora Janice Zanella, líder da pesquisa.

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Da mesma forma, o monitoramento de agentes zoonóticos, principalmente vírus emergentes, tem como objetivo identificar precocemente a circulação de patógenos na interface humano–animal–ambiente, antecipar riscos de surtos e epidemias, orientar medidas de prevenção e controle, e proteger a saúde pública, a produção animal e a segurança ambiental dentro da abordagem de Saúde Única.

Essa ferramenta pode ainda prever surtos, a identificação de variantes emergentes e a aceleração das respostas sanitárias. “O desafio, contudo, é transformar esses avanços em ferramentas acessíveis e sustentáveis para o setor produtivo”, observa Zanella.

Na prática, a Embrapa atua por meio da CISS em parceria com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), que fornecem dados provenientes de milhares de amostras coletadas em granjas de todo o país. A partir disso, forma-se um banco de dados amplo e representativo da situação sanitária dos rebanhos suínos brasileiros.

A integração contínua dessas informações permite identificar e acompanhar mudanças nos padrões sanitários ao longo do tempo, considerando variáveis como faixa etária, unidades da federação, tipo de amostra analisada, natureza do problema sanitário e sistema de produção.

Veja como funcionou o projeto-piloto 

O projeto-piloto da CISS focou inicialmente no teste de PCR para o agente da pneumonia enzoótica dos suínos, o Mycoplasma hyopneumoniae (MHyo), um dos patógenos mais relevantes do Complexo Respiratório Suíno (PRDC). Entre outubro de 2019 e dezembro de 2025 foram analisadas 253.674 amostras submetidas para PCR de MHyo, gerando 10.821 registros. Os estados com maior frequência de submissões ao longo dos anos estudados foram Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

As análises revelaram tendências claras e sazonalidade. A maior ocorrência e o pico de positividade foram observados no primeiro semestre de 2022. Em maio daquele ano, por exemplo, 38% dos registros de MHyo foram positivos. O maior índice de submissões coincidiu com a maior positividade, o que demonstra que o diagnóstico laboratorial é um grande aliado para embasar medidas de tratamento, prevenção e controle na prática.

Outro trabalho recente mostrou uma alta taxa de positividade no diagnóstico de circovírus suíno tipo 2 (PCV2) entre 2020 e 2025. Esses estudos indicaram que o genótipo PCV2d é o predominante atualmente no Brasil, embora as coinfecções de genótipos (PCV2b + PCV2d) ainda sejam considerados relevantes.

Em resumo, a ferramenta CISS, é versátil, e quando embasada em dados de qualidade poderá ser empregada em diversos estudos e análises, que por sua vez poderão derivar para outros trabalhos. A plataforma foi inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos.

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