A indústria de insumos enfrenta uma pressão crescente: precisa entregar resultados em produtividade, mas com impacto ambiental reduzido, rastreabilidade e respaldo técnico. Em meio a exigências de mercado, regulações cada vez mais rígidas e escassez de soluções reconhecidas, surgem dúvidas: como provar que o insumo é sustentável? Como conquistar a confiança de um mercado premium? Como se destacar em um setor repleto de promessas, mas carente em certos momentos de comprovações técnicas?
O Brasil carrega um paradoxo. É potência agrícola mundial, mas convive com mais de 109 milhões de hectares de pastagens degradadas, o que representa 60% de toda a área de pastagens do país, segundo uma pesquisa da Embrapa. Esse cenário compromete a produtividade, limita o crescimento e coloca em risco a sustentabilidade do setor.
Tudo isso em um contexto em que o mercado exige cada vez mais rastreabilidade, responsabilidade ambiental e insumos sustentáveis. O mundo está de olho, e a forma como produzimos precisa acompanhar essa nova lógica.
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O mercado pede rastreabilidade e segurança
Se o desafio é grande, a oportunidade também é. A boa notícia é que o setor já reconhece a urgência da transformação e está buscando caminhos concretos para isso. A pesquisa “Entendendo a percepção do setor sobre Certificação de Insumos Sustentáveis e Agricultura Regenerativa”, realizada pela QIMA no 1º semestre de 2025, mapeou o setor e revelou um cenário promissor para empresas que desejam liderar a transformação:
- 76,2% das empresas demonstraram interesse em obter certificações de insumos sustentáveis para uso na agricultura regenerativa;
- 85,7% têm o mercado brasileiro como principal foco, mas com expansão crescente na América do Sul e do Norte;
- 90% dos entrevistados já conhecem o conceito de insumos sustentáveis;
- 62% estão familiarizados com agricultura regenerativa.
Esses dados deixam claro que a demanda já existe, o interesse é real, e quem oferecer segurança, rastreabilidade e comprovação técnica, sai na frente.
Os produtos mais visados para certificação incluem fertilizantes minerais (58,97%), fertilizantes orgânicos (53,85%), biofertilizantes e pesticidas de controle biológico (38,46%), bioestimulantes (23,08%) e condicionadores de solo (20,51%).
Certificar insumos regenerativos não é só uma tendência bonita no papel. É ação concreta que transforma o campo, a produção e a rentabilidade.
Especialista da QIMA cita principais desafios para obter uma certificação
Segundo Álvaro Garcia, Gerente Estratégico de Novos Negócios da QIMA, o principal desafio para obter uma certificação é quando a empresa ainda não tem um sistema de gestão de qualidade implementado. “Sem esse sistema, fica difícil atender às legislações do Mapa e de outros órgãos, além de garantir rastreabilidade e processos que comprovem as práticas realizadas”, explica.
Ele acrescenta que, quando esses controles estão bem estruturados, a certificação passa a ser consequência: “Com rastreabilidade eficiente e controle de matérias-primas e produção, a obtenção da certificação se torna um detalhe.”
Na prática, a certificação também ajuda na organização dos processos internos. “É uma ferramenta para demonstrar o que a empresa já faz, melhorar a eficiência, reduzir custos e oferecer garantia de qualidade aos clientes. Esses são passos essenciais para a conquista de uma certificação”, destaca Garcia.
O especialista estará em um webinar exclusivo e gratuito sobre a norma Regenera for Inputs na próxima terça-feira (16), ao lado de outros profissionais, para detalhar o processo de certificação e seus benefícios para produtores, empresas e toda a cadeia alimentar.
O objetivo da QIMA, organizadora do evento, é abrir portas para mercados que demandam insumos certificados para a agricultura regenerativa e sustentável. Além disso, o conteúdo oferecido durante o webinar promete agregar valor ao portfólio das empresas e diferenciá-las em um mercado cada vez mais exigente e consciente.