21º Fórum Portal e-food: Rastreabilidade e recall – elementos para um programa robusto

Evento online e ao vivo reuniu três especialistas para compartilhar experiências e discutir os principais desafios, exigências legais e estratégias para fortalecer a gestão de rastreabilidade e recall na indústria de alimentos

Mais de 70 profissionais participaram simultaneamente do 21º Fórum Portal e-food: Rastreabilidade e recall – elementos para um programa robusto, realizado nesta quarta-feira (10), por meio da plataforma Google Meet. Durante duas horas de debate, especialistas compartilharam experiências e discutiram os principais desafios, exigências legais e estratégias para fortalecer a gestão de rastreabilidade e recall na indústria de alimentos.

O encontro contou com a participação de Leo Lopes, doutor em Ciência e Tecnologia de Alimentos com 27 anos de experiência nas indústrias de alimentos e bebidas; Juezessy Brandão, farmacêutica especialista em Controle e Garantia da Qualidade, com 28 anos de atuação no setor; e Rodrigo Stelin, profissional da JBS há 23 anos e responsável pela implantação do sistema de rastreabilidade da divisão de carnes da Friboi. A mediação foi conduzida por Luciana Salles, fundadora do Portal e-food.

A abertura do conteúdo do Fórum ficou a cargo de Juezessy Brandão, que apresentou o panorama regulatório relacionado à rastreabilidade e ao recall. A especialista destacou a RDC 655/2022 da Anvisa, que estabelece a necessidade de procedimentos operacionais padronizados (POPs) e comunicação em até 48 horas, além da Portaria nº 618 do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que determina ações em até 24 horas, e da Portaria nº 20 do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor. Segundo ela, as empresas devem sempre observar a legislação mais restritiva para garantir conformidade.

Outro tema abordado foi a definição de lotes e seus impactos na gestão de crises. Rodrigo Stelin ressaltou que a responsabilidade pela definição dos lotes é da própria empresa, que deve buscar equilíbrio entre eficiência produtiva e riscos operacionais. De acordo com o especialista, lotes muito pequenos podem comprometer a velocidade da produção, enquanto lotes maiores facilitam os processos produtivos, mas ampliam o volume de produtos envolvidos em um eventual recolhimento, exigindo embasamento técnico para sua definição.

Pontos críticos para auditorias e gestão de recall

Ao abordar auditorias e gestão de recall, Leo Lopes destacou três pilares fundamentais para a eficácia do processo: a qualidade dos registros, que devem ser confiáveis, acessíveis e legíveis; a metodologia utilizada nos procedimentos; e a organização da infraestrutura e das informações. Segundo ele, esses fatores são determinantes para reduzir o tempo de resposta em situações críticas.

Durante o debate, os especialistas também alertaram para uma falha recorrente observada em muitas empresas: a realização de simulados de rastreabilidade apenas com produtos de baixo giro. Na avaliação dos participantes, é fundamental incluir produtos de maior circulação e envolver equipes multidisciplinares para que os testes reflitam cenários mais próximos da realidade e permitam identificar vulnerabilidades nos processos.

Rastreabilidade e recall: processos distintos e complementares

Os palestrantes destacaram ainda as diferenças entre rastreabilidade e recall. Enquanto a rastreabilidade tem como objetivo mapear todas as etapas do processo produtivo e a movimentação dos produtos, o recall está relacionado à localização dos itens já distribuídos no mercado e à capacidade de reação da empresa para mitigar riscos ao consumidor.

Embora sejam processos complementares e frequentemente atuem em conjunto durante uma crise, os especialistas apontaram que a realização de simulados pode acontecer de forma integrada ou separada, dependendo da estratégia e da maturidade dos sistemas adotados por cada organização.

A recomendação do grupo é que os simulados sejam realizados pelo menos duas vezes ao ano, priorizando produtos de maior giro e contando com um comitê de crise estruturado para coordenar as ações e a comunicação, minimizando impactos à reputação da empresa.

Principais fatores que comprometem a rastreabilidade

Entre os fatores que mais dificultam a efetividade dos sistemas de rastreabilidade, os especialistas citaram a falta de definição clara de papéis e responsabilidades, a alta rotatividade de colaboradores sem processos adequados de sucessão e o uso de bases de dados paralelas, como planilhas de Excel não integradas aos sistemas oficiais.

Como forma de prevenção, os palestrantes recomendaram a realização frequente dos registros e monitoramentos, permitindo a identificação precoce de falhas e a implementação de ações corretivas antes que os problemas se transformem em crises de maior impacto.

O Portal e-food agradece a participação de todos os inscritos no 21º Fórum Portal e-food. Seguimos juntos promovendo conteúdo técnico e relevante para o nosso setor!

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