Com instalações cada vez mais modernas e operações que demandam alto nível de eficiência, a segurança e a qualidade de produtos e processos devem ser consideradas prioridades para as organizações. Elas contam com diversos maquinários responsáveis por embalar produtos, transportar e manusear os alimentos dentro das empresas, e a utilização de lubrificantes seguros e o gerenciamento adequado da lubrificação são essenciais para garantir proteção aos equipamentos, produtividade, confiabilidade e a segurança dos alimentos. É neste ponto que entram os lubrificantes da categoria food grade, os únicos adequados para esse tipo de produção.
Benefícios dos lubrificantes food grade
Esses produtos são formulados para oferecer desempenho mecânico e proteção às máquinas, ao mesmo tempo em que atendem a rigorosos requisitos de segurança. Os lubrificantes food grade são especialmente importantes em pontos da operação onde existe a possibilidade de contato incidental com alimentos, ainda que em quantidades mínimas. A aplicação produtos de grau alimentício ajuda a minimizar esse risco, reforçando os controles já existentes dentro das plantas industriais.
Além de impactarem diretamente a segurança dos alimentos, esse item também ajuda a garantir o funcionamento contínuo dos equipamentos, reduzindo a ocorrência de paradas inesperadas que podem afetar a estabilidade e a integridade dos processos produtivos.
Do ponto de vista técnico, redutores, correntes, sistemas hidráulicos, rolamentos, compressores e diversos outros componentes industriais devidamente lubrificados apresentam maior confiabilidade, melhor desempenho e vida útil prolongada, consequentemente ampliando a eficiência operacional.
Conformidade regulatória e segurança dos alimentos
Por trás disso, o uso de lubrificantes food grade no contexto da segurança dos alimentos é algo que exige processos documentados, rastreáveis e alinhados aos padrões estabelecidos por órgãos reguladores e certificações reconhecidas internacionalmente, como é o caso da National Sanitation Foundation (NSF), responsável pela classificação e emissão do registro dos lubrificantes conforme a aplicação, sendo a categoria H1 a mais usual.
Se há alguma possibilidade de lubrificantes terem contato com alimentos durante as etapas produtivas, um fabricante de alimentos precisa ter a comprovação do registro de classe do produto adequado, com a aplicação pretendida e a certificação ISO 21469 da planta produtora do fornecedor, mandatória no Brasil e regulada pela ANP desde 2019. E cada tipo de processo também possui requisitos particulares, que podem demandar ainda mais dos lubrificantes com relação a formulações, certificações religiosas e declarações específicas.
Na produção de congelados, por exemplo, o desafio está em como preservá-los em situações de calor extremo. Neste cenário, os lubrificantes para baixas temperaturas são essenciais para o bom funcionamento dos equipamentos de refrigeração. Soluções de grau alimentício também devem ser resistentes a altas cargas de contaminantes oriundas do processo produtivo, como sais, sangue e gordura no processamento de carne, e à água em processos de higienização empregados por este tipo de indústria.
Em relação a sucos de fruta, por outro lado, também é necessária a resistência ao açúcar e a produtos químicos de higienização, além da própria água. Até mesmo na indústria de panificação e de macarrão os lubrificantes NSF H1 devem ser capazes de atender requisitos de alta temperatura em fornos.
Outros tipos de certificação, como a Kosher (referente às leis alimentares judaicas) e a Halal (de conformidade aos mercados muçulmanos), e normas também são utilizadas como referência na fabricação de lubrificantes food grade, um indicativo de todas as exigências e precauções para reduzir riscos associados aos alimentos.
As entidades regulatórias locais e internacionais, por meio de revisões das principais normas de certificação do setor de alimentos e embalagens, vêm ampliando a visão sobre a qualidade e a cultura da segurança dos alimentos estendida para toda a cadeia deste setor. Nesse contexto, os lubrificantes de grau alimentício são um exemplo de como o elo industrial da cadeia produtiva é fundamental para o propósito de assegurar a proteção dos consumidores e reduzir riscos à saúde ligados ao setor alimentício, de bebidas, ingredientes e embalagens.
Por Lilian Miakawa, coordenadora de Negócios de Alimentos da FUCHS, fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados.