WDG na alimentação de cordeiros: oportunidade ou desafio?

Uma análise sobre os benefícios, limitações e perspectivas do uso desse
coproduto na produção de pequenos ruminantes.

A alimentação representa a maior parte dos custos na produção de ovinos, o que leva
produtores e técnicos a buscarem alternativas que permitam manter o desempenho dos
animais sem comprometer a rentabilidade do sistema. Nesse cenário, os coprodutos
agroindustriais têm ganhado espaço nas dietas de ruminantes, principalmente por aliarem
valor nutricional, menor custo e aproveitamento de resíduos gerados por diferentes cadeias
produtivas.
Entre essas alternativas, os grãos úmidos de destilaria (WDG) vêm despertando
interesse crescente na ovinocultura. Obtidos durante a produção de etanol a partir do milho,
esses coprodutos concentram nutrientes importantes como proteína, fibra e gordura,
características que os tornam ingredientes atrativos para dietas de cordeiros em crescimento.
No entanto, apesar das vantagens nutricionais e econômicas, a utilização dos WDG
ainda gera dúvidas entre produtores e técnicos. Afinal, esse coproduto representa apenas uma
alternativa de baixo custo ou pode realmente contribuir para o desempenho dos animais? E
quais cuidados devem ser considerados antes de incluí-lo na dieta?

O que são os grãos úmidos de destilaria?

Os grãos úmidos de destilaria, conhecidos pela sigla WDG (Wet Distillers Grains),
são coprodutos gerados durante a produção de etanol a partir do milho. Durante esse
processo, grande parte do amido presente no grão é utilizada para a obtenção do etanol,
enquanto nutrientes como proteína, fibra, gordura e minerais permanecem concentrados no
produto final (Virgínio Júnior et al., 2025).

Nos últimos anos, a expansão das usinas de etanol de milho aumentou
significativamente a disponibilidade desse coproduto no mercado, despertando o interesse de
produtores e médicos veterinários. Além de representar uma alternativa para o
aproveitamento de resíduos agroindustriais, os WDG podem contribuir para a redução dos
custos com alimentação, um dos principais componentes do custo de produção em sistemas
de criação de ovinos.
Do ponto de vista nutricional, os WDG apresentam entre 28 e 32% de proteína bruta e
concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) que variam de 34 a 42% da matéria seca.
Além disso, cerca de 45 a 50% da proteína presente encontra-se na forma de proteína não
degradável no rúmen (RUP), característica que aumenta o aporte de proteína metabolizável
ao intestino e pode favorecer o desempenho produtivo dos animais (Virgínio Júnior et al.,
2025).

Por que esse coproduto tem chamado atenção dos produtores?

O interesse pelos grãos úmidos de destilaria está diretamente relacionado ao seu valor
nutricional e ao potencial de reduzir os custos da alimentação. Em um cenário em que
ingredientes tradicionais, como milho e farelo de soja, representam uma parcela significativa
dos gastos da propriedade, alternativas que mantêm o desempenho dos animais ganham cada
vez mais espaço.
Os WDG apresentam elevados teores de proteína e fibra digestível, além de
concentrarem parte dos nutrientes do milho após o processo de produção do etanol. Outra
característica importante é o menor teor de amido quando comparado aos grãos
convencionais, o que pode contribuir para um ambiente ruminal mais estável e reduzir o risco
de distúrbios metabólicos associados a dietas altamente concentradas (Moyo et al., 2020).
Além dos benefícios nutricionais, os WDG podem substituir parcialmente
ingredientes tradicionalmente utilizados nas dietas, contribuindo para maior flexibilidade na
formulação das rações. Dessa forma, seu uso tem despertado interesse tanto em sistemas
intensivos quanto em propriedades que buscam alternativas economicamente viáveis para
alimentação dos animais.
Outro aspecto que merece destaque é a sustentabilidade. A utilização de coprodutos
agroindustriais na alimentação animal reduz o desperdício de materiais que poderiam ser
descartados e contribui para sistemas de produção mais eficientes. Dessa forma, além dos
possíveis benefícios econômicos, o uso dos WDG está alinhado com estratégias de produção cada vez mais voltadas ao aproveitamento racional dos recursos disponíveis (Boudalia et al.,
2024; Kilama et al., 2023).

WDG na alimentação de cordeiros

Na alimentação de cordeiros, os WDG podem ser utilizados como fonte de proteína,
fibra e energia, contribuindo para a composição nutricional das dietas durante as fases de
crescimento e terminação. Em estudo com cordeiros em crescimento, a utilização de grãos
úmidos de destilaria com solúveis (WDGS) foi avaliada em comparação com dietas à base de
silagem de milho e de grãos secos de destilaria, demonstrando diferenças no consumo e no
desempenho dos animais (Moyo et al., 2022).
Os resultados indicam que a utilização dos WDG pode influenciar o desempenho dos
cordeiros de acordo com a composição da dieta e o nível de inclusão do coproduto. No estudo
de Moyo et al. (2022), os animais alimentados com WDGS apresentaram menor consumo de
matéria seca e menor ganho médio diário em comparação aos animais que receberam as
demais dietas, enquanto a conversão alimentar não foi alterada. Esses resultados demonstram
que os WDG apresentam potencial para utilização na alimentação de cordeiros, mas sua
resposta depende das características da dieta em que são inseridos.

Nem tudo são vantagens: quais os desafios do WDG?

Apesar dos benefícios, a utilização dos grãos úmidos de destilaria exige alguns
cuidados. O principal deles está relacionado ao elevado teor de umidade, que reduz o tempo
de armazenamento e favorece a deterioração do produto quando não há manejo adequado.
Em condições normais, a vida útil do WDG pode ser limitada a poucos dias após sua
produção, exigindo planejamento para utilização ou conservação do material (Virgínio Júnior
et al., 2025).
Outro ponto importante é a variação na composição nutricional entre lotes e
indústrias. Por esse motivo, a inclusão dos WDG nas dietas deve ser realizada com
planejamento e, sempre que possível, com acompanhamento técnico. Além disso, aspectos
como transporte, armazenamento e disponibilidade regional devem ser considerados para que
o uso do coproduto seja realmente vantajoso dentro do sistema de produção.
Quando utilizados de forma adequada, os WDG podem representar uma alternativa
interessante. No entanto, como qualquer ingrediente alimentar, seu sucesso depende do
equilíbrio entre custo, qualidade nutricional e manejo.

Oportunidade ou desafio?

Os grãos úmidos de destilaria têm se consolidado como uma alternativa promissora
para a alimentação de cordeiros, principalmente em regiões com maior disponibilidade desse
coproduto. Seu valor nutricional, associado ao potencial de redução dos custos alimentares e
ao aproveitamento de resíduos agroindustriais, explica o crescente interesse por sua utilização
nos sistemas de produção.
Por outro lado, desafios relacionados ao armazenamento, transporte e variação na
composição nutricional mostram que seu uso deve ser planejado de forma criteriosa. Assim,
mais do que uma simples alternativa de baixo custo, os WDG representam uma ferramenta
nutricional que pode contribuir para a eficiência dos sistemas produtivos quando utilizados de
forma adequada.

Referências Bibliográficas

● BOUDALIA, S.; SMETI, S.; DAWIT, M.; SENBETA, E. K.; GUEROUI, Y.;
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10.3390/ani14060904.
● KILAMA, J.; YAKIR, Y.; SHAANI, Y.; ADIN, G.; KAADAN, S.; WAGALIA, P.;
SABASTIANA, C.; NGOMUO, G.; MABJEESH, S. J. Chemical composition, in
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● MOYO, R.; VAN NIEKERK, W. A.; DU TOIT, C. J. L.; COERTZE, R.; ADEYEMI,
F.; ADEJORO, F. Nutritional quality of wet distillers’ grains co-ensiled with whole-
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2022. DOI: 10.1590/1678-992X-2020-0122.
● VIRGÍNIO JÚNIOR, G. F.; LOREGIAN, K. E.; MILLEN, D. D. Distillers’ grains as
alternative feed resources for beef cattle: review. Animal Bioscience, v. 39, n. 4,
2026. DOI: 10.5713/ab.250771.

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