Uma pesquisa brasileira concluiu que a proteína de fava pode se tornar uma alternativa ao whey protein nos próximos anos. Para chegar a essa descoberta, a pesquisadora Priscila Dabaghi, professora da Universidade Positivo, no Paraná, liderou um grupo que desenvolveu um shake proteico à base da leguminosa.
De acordo com o estudo, a escolha do alimento como matéria-prima se deu após uma análise nutricional e tecnológica. A fava pertence a um subgrupo da tradicional família das leguminosas (Fabaceae). Trata-se de um alimento com diversas propriedades nutricionais, já que é rico em proteínas, fonte de fibras, possui baixo índice glicêmico, baixo teor de gorduras e é livre de glúten. No entanto, mesmo com tantos benefícios, ainda é bastante subutilizada.
“Isso reforça a necessidade de aproveitar o potencial nutricional desses grãos, utilizando-os no desenvolvimento de produtos de fácil consumo, o que vem ao encontro do mercado plant-based, direcionado a consumidores que buscam opções mais nutritivas, saudáveis e práticas”, analisou a pesquisadora no estudo.
O shake proteico de fava avaliou os efeitos sobre a resposta glicêmica e a saciedade. Os resultados dos testes sensoriais, realizados com 52 provadores não treinados, indicaram que o produto teve boa aceitação e pode ser classificado como suplemento proteico plant-based.
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“Seu perfil de aminoácidos é semelhante ao de outras leguminosas; sua digestibilidade ocorre de forma completa, com predomínio na fase gástrica; e, quando consumido junto a uma refeição de alto índice glicêmico, promove melhora na resposta glicêmica em indivíduos saudáveis e aumento da saciedade em pessoas saudáveis e com diabetes. Esses dados reforçam as propriedades funcionais dessa classe de alimentos e seu potencial uso na indústria de alimentos, atendendo às tendências de mercado”, conclui o estudo.
O trabalho, intitulado “Desenvolvimento de shake proteico de fava e avaliação das suas propriedades sobre a resposta glicêmica e saciedade”, pode ser lido na íntegra aqui.