QR Code na Rastreabilidade de Alimentos: Inovação para o setor

A rastreabilidade de alimentos é um conjunto de práticas que permite identificar a origem e acompanhar o trajeto de um produto ao longo de toda a cadeia produtiva, com base em registros sistematizados e informações documentadas. Neste cenário, o uso do QR Code tem se demonstrado uma tecnologia promissora para a área. O QR Code (Quick Response Code), ou código de resposta rápida, é uma evolução tecnológica do tradicional código de barras. Trata-se de um código bidimensional (2D), representado por uma imagem em formato quadrado composta por padrões gráficos que codificam informações. Devido à sua alta capacidade de armazenamento, o QR Code permite a inserção de diversos tipos de dados e conteúdos exclusivos, sendo amplamente utilizado para facilitar o acesso rápido a informações por meio de dispositivos móveis.

Essa tecnologia tem se consolidado como um recurso eficiente para ampliar a transparência nas relações de consumo, ao possibilitar o acesso instantâneo a dados relevantes sobre a origem, o processamento e as certificações dos alimentos. Nesse cenário, diversas empresas do setor têm investido em estratégias inovadoras baseadas em QR Codes, alinhando-se às exigências regulatórias de segurança dos alimentos e às expectativas crescentes dos consumidores por informações claras e confiáveis. A digitalização da rastreabilidade representa, assim, um avanço significativo para a gestão da qualidade e a construção de confiança no mercado.

A implementação de um programa de rastreabilidade traz uma série de benefícios para as empresas do setor alimentício. Além de aumentar a confiança dos consumidores ao assegurar a qualidade e segurança dos produtos, o sistema de rastreabilidade facilita a gestão de recalls em casos de contaminação ou falhas, permitindo ações rápidas e eficazes para minimizar danos. Adicionalmente, a rastreabilidade contribui para o fortalecimento da imagem da marca, promovendo transparência e responsabilidade corporativa. Por fim, ela também auxilia na otimização de processos, melhorando o controle sobre a cadeia de fornecimento.

Recentemente, a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) divulgou os vencedores do 8º Prêmio RAMA — Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos — e apresentou o balanço mais recente do programa, durante evento realizado em São Paulo, nos dias 14 e 15 de abril de 2025 . A premiação reconhece varejistas e produtores que se destacaram no cumprimento das normas e protocolos relacionados aos resíduos de agrotóxicos, reforçando o compromisso com a segurança dos alimentos no Brasil.

A ocasião também marcou a divulgação do balanço do RAMA, que chega à sua 10ª edição. Criado em 2006, o programa voluntário abrange toda a cadeia de abastecimento e conta com a parceria da Anvisa, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e de redes varejistas.

Segundo a ABRAS, em 2024 foram coletadas 2.497 amostras pelo RAMA, totalizando um volume rastreado de 2,8 milhões de toneladas de alimentos. Nesse contexto, o uso do QR Code foi apontado como um dos principais avanços tecnológicos com impacto positivo no setor de FLV (Frutas, Legumes e Verduras). A seguir, destacam-se os principais benefícios observados para os supermercados:

● Atendimento à legislação Nacional (Instrução Normativa da Anvisa 02/2018);

● Redução da perda de produto e impacto direto no indicador de eficiência operacional, ou seja, na performance ;

● Automatização do recebimento de frutas, legumes e verduras (FLV) com uso do Código de Barras e QR Code GS1;

● Possibilidade de comunicação com o consumidor como estratégia comercial.

Evolução da Rastreabilidade de Alimentos com uso do QR Code

A utilização de QR Code tornou o processo de rastreabilidade de alimentos mais rápido e acessível. A leitura desses códigos é realizada por dispositivos equipados com câmera e software específico para a sua decodificação, sendo compatível com smartphones, tablets, notebooks e outros dispositivos móveis. Ao integrar o QR Code aos sistemas de rastreabilidade, as empresas promovem uma transformação significativa em seus fluxos operacionais, ampliando a transparência das informações, melhorando a eficiência dos processos e reforçando os mecanismos de controle e segurança de alimentos.

Além de otimizar a gestão interna, a tecnologia também atua como um diferencial competitivo, fortalecendo a relação com os consumidores, ao oferecer acesso imediato a dados relevantes sobre origem, qualidade, certificações e boas práticas de produção. Com isso, o QR Code contribui diretamente para a construção de confiança e fidelização no mercado.

Alguns dados são fundamentais para assegurar a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia do produto:

● Código do Lote: Um identificador único (numérico, alfanumérico ou por código de barras/QR code) que distingue aquele lote dos demais.

● Data de Fabricação: Indica quando o produto ou lote foi produzido. Essencial para controle de validade e rastreamento.

● Data de Validade ou Prazo de Validade: Estabelece até quando o produto mantém suas características de qualidade e segurança para o consumo ou uso.

● Código do Produto ou Descrição: Para saber a que produto aquele lote se refere (útil quando há mais de um produto sendo produzido na mesma linha).

● Turno ou Horário de Produção: Auxilia em rastrear com mais precisão problemas em linhas de produção contínuas.

● Local de Fabricação (caso a empresa tenha mais de uma unidade): Facilita a rastreabilidade geográfica.

● Lista de lotes da matéria prima: Controle de registro detalhado dos lotes de cada insumo (ou matéria-prima) utilizados na fabricação de um produto.

● Quantidade em estoque: Informação da quantidade que ainda está sob a gestão da unidade produtora ou centros logísticos.

● Quantidade expedida: Volume ou número de unidades de um produto que foi efetivamente enviado ou despachado de um local (como um centro de distribuição, armazém ou fábrica) para um destino (cliente, loja, transportadora etc.).

Quais regulamentos são responsáveis pela rastreabilidade de alimentos?

A rastreabilidade de alimentos é regulamentada por um conjunto de normas que visam garantir a integridade dos produtos, assegurando a segurança dos alimentos e a conformidade com padrões de qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

A seguir, conheça algumas legislações sobre o tema:

● RDC nº 655/2022, da ANVISA

Esse regulamento dispõe sobre o recolhimento de alimentos e sua comunicação à Anvisa e aos consumidores. Sua principal finalidade é proteger a saúde e a segurança dos consumidores, permitindo que qualquer produto que represente riscos, seja rapidamente identificado e retirado da cadeia produtiva antes de chegar ao ponto de venda. Com a RDC nº 655/2022, as empresas responsáveis pelo recolhimento de alimentos passaram a ser obrigadas a realizar cadastro no sistema da Anvisa. Esse procedimento é essencial para viabilizar o peticionamento eletrônico, conferindo maior agilidade e eficiência à comunicação com a agência reguladora.
Anteriormente, quando a Anvisa recebia uma notificação de recolhimento por meio de um endereço eletrônico específico, era necessário solicitar separadamente o cadastro da empresa responsável. Com a nova norma, esse requisito passou a integrar diretamente o texto regulatório, conferindo maior previsibilidade e sistematização ao processo. No entanto, é importante ressaltar que o simples cadastramento da empresa no sistema da Anvisa não garante, por si só, a conformidade com as exigências sanitárias. Para assegurar a regularidade, é imprescindível o cumprimento integral das diretrizes aplicáveis ao setor de alimentos, bem como das especificidades de cada segmento produtivo. Vale destacar que esse regulamento revogou a RDC nº 24, de 8 de junho de 2015 – ANVISA.

● Instrução Normativa Conjunta Nº 02/2018 DO ANVISA/MAPA

A INC 02/2018 é uma Instrução Normativa Conjunta elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A normativa estabelece que os registros das informações previstas nesta Instrução Normativa Conjunta devem ser mantidos à disposição das autoridades competentes pelo período de 18 meses, contados a partir da data de validade ou da expedição dos produtos vegetais frescos. Tais exigências contribuem para a transparência nas relações comerciais e para a melhoria da qualidade dos produtos, agregando valor às empresas do setor. Vale ressaltar que o Anexo III desta INC foi alterado pela INC N° 1/2019.

Impactos positivos do uso da ferramenta

Ao escanear o QR code, o consumidor (ou a fiscalização) pode ver:

● Onde o alimento foi produzido (fazenda, lote, plantação específica).

● Processos de fabricação (datas de colheita, processamento, transporte).

● Certificações (orgânico, livre de agrotóxicos, práticas sustentáveis etc.).

● Histórico de transporte (se passou por centros de distribuição, temperatura durante o transporte etc.).

● Tabela nutricional.

Benefícios:

● Confiança: o consumidor sabe de onde vem o que está comprando.

● Segurança dos alimentos: se houver um problema (como contaminação), é possível rapidamente rastrear e retirar apenas o lote afetado, sem prejudicar todo o mercado.

● Compliance: empresas cumprem leis de rastreabilidade, como a IN 02/2018 no Brasil (para frutas e hortaliças).

● Valorização do produto: produtos rastreáveis passam mais credibilidade e podem ser vendidos com valor agregado.

Importância e tendência do uso de QR code

Através da aplicação de QR Code nos rótulos, os consumidores passam a ter acesso instantâneo a informações detalhadas sobre os produtos, abrangendo composição, processos de fabricação e indicadores de impacto ambiental. A adoção dessa tecnologia digital amplia significativamente a transparência, ao permitir a atualização contínua das informações e a divulgação de práticas sustentáveis implementadas ao longo da cadeia.

Isso evidencia que os códigos digitalizáveis possuem múltiplas aplicações, com potencial tanto para proteger a reputação das marcas diante de possíveis controvérsias quanto para facilitar a experiência de compra dos consumidores familiarizados com tecnologias digitais.

Referências Bibliográficas:

● ABRAS (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SUPERMERCADOS). Conheça os vencedores do Prêmio RAMA e o balanço do programa. Disponível em: Conheça os vencedores do Prêmio RAMA e o balanço do programa | Clipping | ABRAS. Acesso em: 05/05/2025.

● FOOD FORUM. Como o uso de QR Codes apoia o sucesso das empresas na segurança alimentar e qualidade dos alimentos. Disponível em: Como o uso de QR Codes apoia o sucesso das empresas na segurança alimentar e qualidade dos alimentos – FOOD FORUM NEWS. Acesso em: 28/04/2025.

● FOOD SAFETY BRAZIL. FDA pretende estender a data de conformidade para regra de rastreabilidade de alimentos. Disponível em: < FDA pretende estender a data de conformidade para regra de rastreabilidade de alimentos – Food Safety Brazil>. Acesso em: 28/04/2025.

● FUNDAÇÃO ROGE, Aplicativo para controle de estoque com uso de QR code. Jean Ribeiro de Marins Siqueira, Thalyson Augusto Moraes Cortez Nunes. DELFIM MOREIRA – MG, 2022.

● PORTAL E-FOOD. Mercado de rastreabilidade de alimentos terá crescimento significativo até 2028. Disponível em: Mercado de rastreabilidade de alimentos terá crescimento significativo até 2028 – Portal e-food | Tudo sobre Segurança de Alimentos. Acesso em: 25/04/2025.

● REVISTA HIGIENE ALIMENTAR, v.37 (297): e1130, Jul-Dez, 2023. DOI 10.37585/HA2023.02rastreabilidade. CONCEITO E APLICAÇÃO DA RASTREABILIDADE DE ALIMENTOS: UMA REVISÃO. Disponível em: Artigo-HA- CONCEITO-E-APLICACAO-DA-RASTREABILIDADE-DE-ALIMENTOS-UMA-REVISAO.pdf Acesso em: 27/04/2025.

● SANTOS, Rafael Fernando dos. Gestão da qualidade da carne ovina com QR code. 2023. Tese (Doutorado em Zootecnia) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2023.

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