OMS publica dados inéditos sobre riscos microbiológicos e químicos transmitidos por alimentos

A nova análise da OMS amplia significativamente a base de evidências ao avaliar 42 dos principais riscos transmitidos por alimentos, incluindo bactérias, vírus, parasitas e substâncias químicas, em 194 países, entre 2000 e 2021

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em junho de 2026 um relatório com estimativas atualizadas sobre a carga das doenças de origem alimentar. O último levantamento realizado pelo órgão havia sido em 2015. A nova análise da OMS amplia significativamente a base de evidências ao avaliar 42 dos principais riscos transmitidos por alimentos, incluindo bactérias, vírus, parasitas e substâncias químicas, em 194 países, entre 2000 e 2021. As estimativas agora incluem novos riscos, como metais, rotavírus e Trypanosoma cruzi (o parasita causador da doença de Chagas).

De acordo com o relatório, os alimentos podem ser contaminados por substâncias químicas como arsênio inorgânico, chumbo e metilmercúrio, provenientes de fontes naturais e de atividades humanas. 

A OMS explica que embora a presença de alguns metais nos alimentos tenha diminuído ao longo do tempo, essas estimativas revelam, pela primeira vez, o impacto das doenças cardiovasculares, do câncer e da deficiência intelectual resultantes da exposição alimentar a metais. O arsênio inorgânico e o chumbo estão ligados a mais de 1 milhão de mortes em um ano; o metilmercúrio pode prejudicar o desenvolvimento cerebral e causar problemas neurológicos e de desenvolvimento permanentes em crianças.

Principais descobertas

Em um artigo publicado na Food Safety Magazine, a revista resumiu as principais descobertas do relatório

  • No geral, 13 dos 29 perigos avaliados tiveram mais de 50% da carga atribuída à transmissão alimentar.
  • Entre os patógenos entéricos, Campylobacter (45–71%) e Salmonella não tifoide (59–74%) foram predominantemente transmitidos por alimentos em quase todas as sub-regiões, enquanto as proporções de E. coli diarreogênica (29–80%) e E. coli produtora de toxina Shiga (STEC) (32–73%) que foram transmitidas por alimentos variaram conforme a região.
  • Cyclospora foi o único protozoário entérico transmitido principalmente por meio de alimentos (74–95%).
  • A transmissão por alimentos representou uma proporção menor de rotavírus (1–17%), norovírus (19–45%) e vírus da hepatite A (28–53%) em comparação com o contato de pessoa para pessoa.
  • O parasita Toxoplasma gondii foi amplamente atribuído à transmissão por alimentos na maioria das sub-regiões, mas nas regiões africanas e do Mediterrâneo Oriental, a transmissão pelo solo também desempenhou um papel importante (34–38%).
  • A exposição ao chumbo ocorreu principalmente por meio de alimentos na região do Sudeste Asiático (46–59%), enquanto a atribuição aos alimentos nas demais regiões foi menor (7–30%).
  • De modo geral, em todos os riscos, as diferenças sub-regionais na contribuição relativa das vias foram mais acentuadas na Região Europeia e na Região das Américas; enquanto nas regiões da África, Mediterrâneo Oriental, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, as atribuições foram mais homogêneas.

Atribuições em nível alimentar

As estimativas de atribuição ao nível alimentar também variaram entre os riscos e as regiões, mas mostraram classificações consistentes para vários patógenos.

  • A carne de aves foi a principal fonte de Campylobacter spp. em todas as sub-regiões (36–74%), seguida pela carne bovina (9–12%) ou laticínios (5–28%).
  • As principais fontes de Salmonella incluíam carne de aves (22–43%), carne de porco (8–37%) e ovos (15–29%).
  • A carne bovina foi a principal fonte de STEC (15–55%).
  • Os laticínios contribuíram substancialmente para a Listeria monocytogenes (22–57%) e para a Brucella (35–94%, excluindo a região do Pacífico Ocidental).
  • Vegetais, frutas e nozes, e produtos frescos foram considerados as únicas fontes alimentares de Cyclospora, Giardia, Cryptosporidium, Ascaris, Echinococcus granulosus e Fasciola e Fasciolopsis . Eles foram fontes importantes de norovírus (aproximadamente 30–40%), rotavírus (25–85%), vírus da hepatite A (aproximadamente 70%), Shigella (20–85%), E. coli diarreica (8–60%), Entamoeba (90–95%) e chumbo (7–50%).
  • Os mariscos foram a principal fonte de alimento para o norovírus (22–60%) e os peixes e mariscos para a Vibrio cholerae (66–86%).
  • Grãos e feijões (1–33%) e, em menor grau, mariscos (3–20%) foram fontes relevantes de exposição ao chumbo.
  • O estudo apresentou as primeiras estimativas de atribuição de fonte para o Trypanosoma cruzi relevantes para a região das Américas. A transmissão por alimentos, através do consumo de vegetais, frutas e nozes, foi determinada como um importante fator contribuinte para a carga da doença, sugerindo que intervenções de segurança alimentar são importantes para prevenir a doença de Chagas em populações de alto risco.

A avaliação e os dados completos do relatório podem ser explorados em detalhes por meio de um painel interativo online e no Observatório Global de Saúde com mapas. As principais conclusões foram publicadas na revista The Lancet Global Health, com um comentário complementar e quatro artigos focados em grupos de risco específicos e doenças associadas.

Fonte: https://www.food-safety.com/articles/11480-who-releases-data-on-the-proportion-of-microbiological-chemical-hazards-that-are-foodborne

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